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<title>Yugoboy - um brasileiro na antiga Iugoslávia</title>
<description>a Brazilian in ex-Yu</description>
<link>https://www.blogoye.me/yugoboy/</link>
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<lastBuildDate>Sun, 19 Jul 2026 06:32:08 +0200</lastBuildDate>
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    <item>
    <title>A Pirâmide de Tito</title>
    <description>Piadinha que corria na &amp;eacute;poca do velho Marechal:
A Iugosl&amp;aacute;via &amp;eacute; um pa&amp;iacute;s feito de:

    Seis rep&amp;uacute;blicas (S&amp;eacute;rvia, Cro&amp;aacute;cia, B&amp;oacute;snia, Eslov&amp;ecirc;nia, Montenegro e Maced&amp;ocirc;nia)
    Cinco etnias (s&amp;eacute;rvios, croatas, eslovenos, maced&amp;ocirc;nios e albaneses)
    Quatro l&amp;iacute;nguas (servo-croata, esloveno, maced&amp;ocirc;nio e alban&amp;ecirc;s)
    Tr&amp;ecirc;s religi&amp;otilde;es (catolicismo, cristianismo ortodoxo e islamismo)
    Dois alfabetos (latino e cir&amp;iacute;lico)
    E um Partido.
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    <pubDate>Sun, 16 Nov 2008 20:03:00 +0100</pubDate>
    <link>https://www.blogoye.me/yugoboy/52409/</link>
    </item>
    
    <item>
    <title>Como assim, um C com acento agudo?!</title>
    <description>Sim, o servo-croata tem um acento agudo em cima da letra C. Ou melhor, uma letra espec&amp;iacute;fica que parece um C com acento: &amp;eacute; o Ć. E n&amp;atilde;o venha com essa cara de esquisitice: n&amp;oacute;s temos o &amp;Ccedil;-cedilha, que &amp;eacute; simplesmente uma v&amp;iacute;rgula debaixo do C, e achamos muito normal, n&amp;atilde;o &amp;eacute;?
Na verdade, o alfabeto latino do servo-croata (pois, lembremos, eles tamb&amp;eacute;m usam o cir&amp;iacute;lico) &amp;eacute; muito f&amp;aacute;cil de aprender e usar, pois segue a regra da ortografia fon&amp;eacute;tica: para cada letra, um som; para cada som, uma &amp;uacute;nica letra. Se fosse assim em portugu&amp;ecirc;s, n&amp;atilde;o ter&amp;iacute;amos in&amp;uacute;meras letras e constru&amp;ccedil;&amp;otilde;es para representar o som de /s/, que pode ser escrito com S, SS, C, &amp;Ccedil;, XC, SC...
Ao mesmo tempo, o nosso S pode &amp;agrave;s vezes ser /s/, como em &amp;quot;sonho&amp;quot;, e &amp;agrave;s vezes pode ser /z/, como em &amp;quot;casa&amp;quot;. E o nosso G pode ser /g/ como em &amp;quot;gato&amp;quot; e pode ser /zh/ como em &amp;quot;l&amp;oacute;gica&amp;quot;. Sem contar as in&amp;uacute;meras varia&amp;ccedil;&amp;otilde;es que a simples letrinha X pode ter: /sh/ em &amp;quot;x&amp;iacute;cara&amp;quot;, /ks/ em &amp;quot;t&amp;aacute;xi&amp;quot;, /z/ em &amp;quot;exerc&amp;iacute;cio&amp;quot;, /s/ em &amp;quot;sintaxe&amp;quot;... E voc&amp;ecirc; ainda tem a aud&amp;aacute;cia de dizer que servo-croata &amp;eacute; que &amp;eacute; uma l&amp;iacute;ngua complicada?!
Por isso &amp;eacute; que um estrangeiro pira quando tenta aprender portugu&amp;ecirc;s. Porque a l&amp;iacute;ngua deles, em geral, tem uma maneira muito mais regular de ser escrita. Ou seja, as ortografias das l&amp;iacute;nguas europ&amp;eacute;ias, especialmente as do Leste, s&amp;atilde;o extremamente normatizadas, at&amp;eacute; r&amp;iacute;gidas. E simples.
Para provar isso e facilitar a vida de quem vai ler os pr&amp;oacute;ximos posts do Yugoboy, fiz aqui um pequeno guia de como pronunciar as letras em servo-croata, r&amp;aacute;pido e f&amp;aacute;cil. Agora vamos l&amp;aacute;, incorporem o baixinho da Xuxa adormecido em voc&amp;ecirc;s, encham os pulm&amp;otilde;es, projetem a voz e repitam comigo em alto e bom som:

    o C tem som de TS. Assim, &amp;quot;pica&amp;quot; &amp;eacute; pizza. S&amp;eacute;rio.
    mas o Č &amp;eacute; outra letra, e tem som de &amp;quot;TCH&amp;quot;, como no nosso &amp;quot;tchau&amp;quot; ou &amp;quot;vou dan&amp;ccedil;ar o tchatchatch&amp;aacute; &amp;quot;. Equivale ao CH do espanhol ou do ingl&amp;ecirc;s, ou ao CZ do polon&amp;ecirc;s (da&amp;iacute; &amp;quot;Czechoslovakia&amp;quot; ser &amp;quot;Tchecoslov&amp;aacute;quia&amp;quot;, morou?).
    agora n&amp;atilde;o me bata, mas existe ainda o Ć, o tal &amp;quot;C com acento agudo&amp;quot;, que &amp;eacute; um som quaaase igual, mas diferente. Tem som de &amp;quot;TSCH&amp;quot;, ou um &amp;quot;TCH afetado&amp;quot;. A dica &amp;eacute;: fa&amp;ccedil;a o movimento pra dizer &amp;quot;tchau&amp;quot; e ao mesmo tempo assopre entre a l&amp;iacute;ngua e o c&amp;eacute;u da boca. E n&amp;atilde;o engasgue.
    o D &amp;eacute; sempre D, mas o Đ &amp;eacute; como um &amp;quot;DJ&amp;quot;. Na verdade, &amp;eacute; como um &amp;quot;DJ afetado&amp;quot;, tal como acima. A dica que funciona mesmo &amp;eacute; pensar no Clodovil dizendo a famosa frase &amp;quot;Olhe ali pra lente da verdade!&amp;quot;, que na verdade soa afetadamente como &amp;quot;lentsch da verdadsch&amp;quot;. Pronto, s&amp;atilde;o exatamente esses os sons de Ć e Đ.
    e por favor, n&amp;atilde;o me bata de novo, mas tem ainda o DŽ, que &amp;eacute; como o DJ normal, igual a um J em ingl&amp;ecirc;s: assim, &amp;quot;James&amp;quot; em servo-croata vira &amp;quot;Džejms&amp;quot;.
    o G &amp;eacute; sempre G: &amp;quot;gitara&amp;quot; (viol&amp;atilde;o) se fala &amp;quot;guit&amp;aacute;ra&amp;quot;.
    o H &amp;eacute; sempre aspirado: &amp;quot;hvala&amp;quot; (obrigado) &amp;eacute; tipo &amp;quot;rrvala&amp;quot;.
    o J tem som de i, mas um &amp;quot;i curto&amp;quot; (semivogal), como no final de &amp;quot;pai&amp;quot;, ou em &amp;quot;ioga&amp;quot; (em portugu&amp;ecirc;s). Como se fosse um Y do espanhol. Nunca &amp;eacute; consoante: por isso &amp;quot;Jugoslavija&amp;quot; virou &amp;quot;Iugosl&amp;aacute;via&amp;quot; (em Portugal se escreve com J e se pronuncia como J mesmo: &amp;quot;Jugosl&amp;aacute;via&amp;quot;, mas isso &amp;eacute; coisa de lusitano).
    o K &amp;eacute; sempre K.
    o LJ &amp;eacute; como o nosso LH: &amp;quot;ljubav&amp;quot; (amor) se fala &amp;quot;lh&amp;uacute;bav&amp;quot;. N&amp;atilde;o &amp;eacute; um d&amp;iacute;grafo: &amp;eacute; considerado uma letra s&amp;oacute; - ou seja, nunca se separa.
    vale o mesmo para o NJ, que &amp;eacute; como o nosso NH: &amp;quot;tunjevina&amp;quot; (atum) se fala &amp;quot;tunh&amp;eacute;vina&amp;quot;. Nunca se separa tampouco.
    o R &amp;eacute; sempre trilado, como espanhol ou italiano. E o R em muitas palavras &amp;eacute; considerado uma vogal. Ent&amp;atilde;o voc&amp;ecirc; l&amp;ecirc; &amp;quot;krv&amp;quot; (sangue) ou &amp;quot;trg&amp;quot; (pra&amp;ccedil;a) fazendo &amp;ecirc;nfase no som do R. Parece que s&amp;atilde;o palavras sem vogais? &amp;Eacute;, mas para eles o R funciona como vogal.
    o S &amp;eacute; sempre S, mas o &amp;Scaron; &amp;eacute; como nosso CH ou X, ou como SH do ingl&amp;ecirc;s: assim, &amp;quot;&amp;scaron;uma&amp;quot; (floresta) se fala &amp;quot;xuma&amp;quot;.
    o Z &amp;eacute; sempre Z, mas o Ž &amp;eacute; como nosso J, ou &amp;quot;ZH&amp;quot; como se usa em ingl&amp;ecirc;s e espanhol (j&amp;aacute; que eles n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m esse som). Ent&amp;atilde;o &amp;quot;žuto&amp;quot; (amarelo) se fala &amp;quot;juto&amp;quot;.
    N&amp;atilde;o existe Q, nem W, nem X, nem Y em servo-croata.
    As outras consoantes que n&amp;atilde;o est&amp;atilde;o aqui s&amp;atilde;o porque s&amp;atilde;o exatamente iguais &amp;agrave;s nossas: D, T, B, P, F, V, M, N, L...
    As vogais s&amp;atilde;o todas iguais &amp;agrave;s do portugu&amp;ecirc;s, s&amp;oacute; que regulares. 'E' &amp;eacute; sempre &amp;quot;&amp;ecirc;&amp;quot; fechado; 'O' &amp;eacute; sempre &amp;quot;&amp;oacute;&amp;quot; aberto.
    N&amp;atilde;o tem anasalamento. Quer dizer, o nome Ana n&amp;atilde;o &amp;eacute; &amp;quot;&amp;acirc;na&amp;quot;, mas sempre &amp;quot;&amp;aacute;na&amp;quot;.

Um grande problema &amp;eacute; que, na internet, muitos falantes de servo-croata t&amp;ecirc;m a p&amp;eacute;ssima mania de omitir os hačeks (aquele que parece um acento circunflexo ao contr&amp;aacute;rio) e tracinhos em cima de &amp;Scaron;, Ž, Č, Ć e Đ, fazendo com que eles fiquem indistingu&amp;iacute;veis de S, Z, C e D (assim como certos falantes de portugu&amp;ecirc;s t&amp;ecirc;m o p&amp;eacute;ssimo h&amp;aacute;bito de omitir acentos, n&amp;eacute;?). Pra eles &amp;eacute; f&amp;aacute;cil, porque eles j&amp;aacute; sabem como se pronuncia. Mas pra n&amp;oacute;s, &amp;quot;gringos&amp;quot;, &amp;eacute; uma zona. E pior que boa parte da m&amp;iacute;dia estrangeira reproduz essa besteira, fazendo a pron&amp;uacute;ncia ficar histri&amp;ocirc;nica. &amp;Eacute; por isso que a F&amp;aacute;tima Bernardes chama o Karadžić (C&amp;aacute;radjitsch) de &amp;quot;Caradz&amp;iacute;tsch&amp;quot;. O final &amp;quot;ić&amp;quot; eles j&amp;aacute; sabem como funciona, mas o resto fica uma salada...</description>
    <pubDate>Fri, 14 Nov 2008 23:16:00 +0100</pubDate>
    <link>https://www.blogoye.me/yugoboy/52246/</link>
    </item>
    
    <item>
    <title>Guia orkut das comunidades Sérvia e Yugo</title>
    <description>Aqui vai a lista mais completa que consegui montar das comunidades no orkut que t&amp;ecirc;m a ver com Belgrado, a S&amp;eacute;rvia e a antiga (e saudosa!) Iugosl&amp;aacute;via, separadas por tema:
BRASIL-YUGO

     S&amp;eacute;rvios no Brasil - eles que moram entre n&amp;oacute;s
    
    Conex&amp;atilde;o serbo-brasileira - para descendentes, imigrantes, emigrantes e quem mais tiver um pouquinho de S&amp;eacute;rvia no cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o
    Eu j&amp;aacute; fui &amp;agrave; S&amp;eacute;rvia - pra quem teve a sorte, a honra e o prazer
    Bulgaria-Brazil-Yugoslavia - inclui tamb&amp;eacute;m a Bulg&amp;aacute;ria
     Descendentes da Iugosl&amp;aacute;via - ou seja, tamb&amp;eacute;m croatas, eslovenos, maced&amp;ocirc;nios...
     Descendentes de Iugoslavos - idem
     Restoran Beograd - fica em S&amp;atilde;o Paulo e serve comida t&amp;iacute;pica aos fins de semana
     Srpsko-Brazilski Klub - Clube Serbo-Brasileiro, tamb&amp;eacute;m em SP
    S&amp;eacute;rvia in the C&amp;ocirc;lonia
     Bosnia - Brasil

BELGRADO

    Belgrade - em ingl&amp;ecirc;s
    Belgrado - mesma coisa, em portugu&amp;ecirc;s

S&amp;Eacute;RVIA

    S&amp;eacute;rvia - em portugu&amp;ecirc;s
    SRBIJA - isso &amp;eacute; &amp;quot;S&amp;eacute;rvia&amp;quot; em servo-croata; as discuss&amp;otilde;es s&amp;atilde;o em ingl&amp;ecirc;s
    Serbia - em ingl&amp;ecirc;s
    Serbia - mesmo nome, outra comunidade
     Srbija*Turizam - pra quem quiser dicas de viagem
    People who love Serbia - ooowwnnnn...
    Serbia and Montenegro - meio anacr&amp;ocirc;nica, a esta altura do campeonato...
     Novi Sad - a segunda maior cidade da S&amp;eacute;rvia

IUGOSL&amp;Aacute;VIA

    Yugoslavia - pra matar as saudades...
    Balkans &amp;amp; Southeastern Europe - inclui tamb&amp;eacute;m Bulg&amp;aacute;ria, Rom&amp;ecirc;nia, Alb&amp;acirc;nia e outros lugares divertid&amp;iacute;ssimos

CULTURA S&amp;Eacute;RVIA E YUGO

     Serbian Language - n&amp;atilde;o &amp;eacute; complicada, juro!
    SRPSKA MUZIKA SERBIAN MUSIC - de kolo a turbofolk
     &amp;#1057;&amp;#1088;&amp;#1087;&amp;#1089;&amp;#1082;&amp;#1072; &amp;#1077;&amp;#1087;&amp;#1080;&amp;#1082;&amp;#1072; / Serbian Epics
     &amp;#1057;&amp;#1088;&amp;#1073;&amp;#1080;&amp;#1112;&amp;#1077; &amp;#1050;&amp;#1086;&amp;#1083;&amp;#1086; - Kolo S&amp;eacute;rvio - se voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o entendeu acima
    Dan&amp;ccedil;ar Kolo faz Bem &amp;agrave; Sa&amp;uacute;de! - &amp;eacute; melhor procurar saber
     EU ADORO KOLO - agora j&amp;aacute; t&amp;aacute; entendendo
    EXIT festival-SERBIA - o maior festival de rock e pop dos B&amp;aacute;lc&amp;atilde;s; todo ver&amp;atilde;o em Novi Sad
     Gucha-trumpet festival-SERBIA - festival de m&amp;uacute;sica folcl&amp;oacute;rica
    KAFANE, PUBS, CAF&amp;Eacute;S ... - as cantinas t&amp;iacute;picas da S&amp;eacute;rvia; uma experi&amp;ecirc;ncia &amp;iacute;mpar
    &amp;shy;
    CARNIVALE BALKAN - outra festa de m&amp;uacute;sica cigana no Rio, dos mesmos criadores da GoEast
     BALKAN BEAT BOX
     Balkan Beat Box
     Balkan Music
     Emir Kusturica - o cineasta
    Goran Bregovic - o cara que faz as trilhas dos filmes do Kusturica
     Bregovic
    Vida Pavlović - cantora cigana
     Mirko Kodić - sanfoneiro
    Ceca - a rainha do turbofolk; dois quilos de silicone... em cada lado!
     Divna Ljubojevic - extremo oposto: cantora de m&amp;uacute;sica religiosa ortodoxa
    
     Igreja Ortodoxa S&amp;eacute;rvia - porque na S&amp;eacute;rvia se peca muuuito
     Igreja Ortodoxa S&amp;eacute;rvia - outra
    
     S&amp;eacute;rvios Ortodoxos no Brasil
    
     S&amp;atilde;o Sava - o maior santo s&amp;eacute;rvio
     serbian
     &amp;#1088;&amp;#1072;&amp;#1082;&amp;#1080;&amp;#1112;&amp;#1072; -RAKIJA, &amp;#1096;&amp;#1113;&amp;#1080;&amp;#1074;&amp;#1086;&amp;#1074;&amp;#1080;&amp;#1094;&amp;#1072; itd - weu t'&amp;ocirc; beim! dj&amp;aacute; dissikeuth&amp;ocirc; beim! m'larga, eu kero cantaaaarr, HEJ SLOVENI, blah blah blah... hic-up!

ESPORTE

    FC Crvena Zvezda Beograd - o rubro-alvo de Belgrado
    FK Partizan Beograd - o alvinegro de Belgrado
     FSS- Fudbalski Savez Srbija - os cartolas de l&amp;aacute;
     Velik braća Grbića -Srbija - irm&amp;atilde;os Grbić, jogadores de v&amp;ocirc;lei
     Sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o S&amp;eacute;rvia de Volei-Masc
     Serbian Basketball

POL&amp;Iacute;TICA E POL&amp;Ecirc;MICA

     Zoran Djindjic (1952-2003) - o m&amp;aacute;rtir dos liberais s&amp;eacute;rvios
    Serbia, Serbs and The Truth - a verdadeira verdade sobre a servid&amp;atilde;o s&amp;eacute;rvia
     Kosovo
     Kosovo is Heart of Serbia
    
    N&amp;Atilde;O ao Kosovo alban&amp;ecirc;s !!! - porque Kosovo je Srbija
     Mc S&amp;eacute;rvia e Montenegro - j&amp;aacute; vem despeda&amp;ccedil;ado
    Sobrou Iugosl&amp;aacute;via pra mim? - corra antes que acabe


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    <pubDate>Fri, 14 Nov 2008 00:12:00 +0100</pubDate>
    <link>https://www.blogoye.me/yugoboy/52136/</link>
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    <item>
    <title>A esquizofrenia dos alfabetos</title>
    <description>Os s&amp;eacute;rvios usam dois alfabetos para escrever sua l&amp;iacute;ngua: o latino (como o nosso) e o cir&amp;iacute;lico (como o russo).
Quando digo que &amp;quot;usam os dois&amp;quot;, n&amp;atilde;o significa que ora usem um, ora usem outro. Significa, muitas vezes, que usam ambos ao mesmo tempo. &amp;Eacute; uma certa esquizofrenia, e o visitante pode demorar um tempo a se acostumar. Mas n&amp;atilde;o tem outra op&amp;ccedil;&amp;atilde;o.
Uma das coisas mais comuns s&amp;atilde;o jornais em que o texto &amp;eacute; publicado em latino mas os an&amp;uacute;ncios v&amp;ecirc;m em cir&amp;iacute;lico. Nos restaurantes e cantinas (kafane), card&amp;aacute;pios podem ter o t&amp;iacute;tulo em cir&amp;iacute;lico e a descri&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos pratos em latino. As placas de rua podem ter o nome do logradouro maior em cir&amp;iacute;lico e, embaixo, uma vers&amp;atilde;o menor em latino - quando n&amp;atilde;o o nome antigo da rua (isso dar&amp;aacute; outro post).
Apesar do uso indistinto, os dois alfabetos servem para escrever exatamente a mesma l&amp;iacute;ngua. E cada letra em latino tem correspond&amp;ecirc;ncia exata em cir&amp;iacute;lico, e vice-versa (lembram-se da hist&amp;oacute;ria do croata Ljudevit Gaj e do s&amp;eacute;rvio Vuk Karadžić no post anterior? eles combinaram este emparelhamento para facilitar a ortografia). Ou seja, para um s&amp;eacute;rvio tanto faz escrever &amp;#1041;&amp;#1077;&amp;#1086;&amp;#1075;&amp;#1088;&amp;#1072;&amp;#1076; ou Beograd, &amp;#1032;&amp;#1091;&amp;#1075;&amp;#1086;&amp;#1089;&amp;#1083;&amp;#1072;&amp;#1074;&amp;#1080;&amp;#1112;&amp;#1072; ou Jugoslavija, &amp;#1087;&amp;#1072;&amp;#1083;&amp;#1072;&amp;#1095;&amp;#1080;&amp;#1085;&amp;#1082;&amp;#1072; ou palačinka: &amp;eacute; exatamente igual. Isso significa que &amp;eacute; simples fazer a translitera&amp;ccedil;&amp;atilde;o (ou seja, converter de um alfabeto a outro). Voc&amp;ecirc; s&amp;oacute; tem que aprender os dois alfabetos... :o)

&amp;Agrave; primeira vista, pode parecer totalmente aleat&amp;oacute;rio o fator determinante que define qual alfabeto ser&amp;aacute; usado em cada caso. E, &amp;agrave; segunda vista... tamb&amp;eacute;m o &amp;eacute;. N&amp;atilde;o &amp;eacute; muito f&amp;aacute;cil encontrar um motivo claro que explique a prefer&amp;ecirc;ncia por esta ou aquela forma de escrever.

Fora de Belgrado (ou das zonas metropolitanas em geral), &amp;eacute; mais f&amp;aacute;cil encontrar inscri&amp;ccedil;&amp;otilde;es apenas em cir&amp;iacute;lico. O latino est&amp;aacute; mais associado a uma cultura pr&amp;oacute;-europ&amp;eacute;ia, cosmopolita, ligeiramente &amp;quot;liberal&amp;quot;. O cir&amp;iacute;lico, por outro lado, costuma ser o favorito dos nacionalistas, tradicionais, religiosos e que defendem uma aproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o maior com a M&amp;atilde;e R&amp;uacute;ssia. Mas n&amp;atilde;o exclusivamente. S&amp;eacute;rvios perto da fronteira com a Cro&amp;aacute;cia e a Hungria podem preferir o uso do latino simplesmente para facilitar a comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o.

O cir&amp;iacute;lico &amp;eacute; aquele alfabeto do tipo russo que lembra v&amp;aacute;rias letras gregas e que muita gente conhece porque tem uma letra que parece um R ao contr&amp;aacute;rio (aquilo, um &amp;#1071;, tem som de &amp;quot;i&amp;aacute;&amp;quot;). Ele foi inventado por monges b&amp;uacute;lgaros na Maced&amp;ocirc;nia, ent&amp;atilde;o o centro religioso da Igreja Ortodoxa, cheia de monast&amp;eacute;rios onde copistas se esmeravam na arte da caligrafia.

Na verdade, n&amp;atilde;o foi inventado por S&amp;atilde;o Cirilo, como muitos acham. Cirilo e Met&amp;oacute;dio criaram, na verdade, o alfabeto glagol&amp;iacute;tico, que &amp;eacute; bem diferente do cir&amp;iacute;lico. S&amp;oacute; depois, ao ser criado um sistema mais simples e familiar (misturando aspectos tanto do grego quanto do latino), &amp;eacute; que resolveram batizar o novo alfabeto com o nome do santo.
Com a catequese ortodoxa espalhada entre os povos eslavos, o cir&amp;iacute;lico foi adotado pelos s&amp;eacute;rvios, pelos russos e por boa parte dos povos que os russos dominavam (como os t&amp;aacute;rtaros da &amp;Aacute;sia Central). Hoje, al&amp;eacute;m da S&amp;eacute;rvia, de Montenegro e da Maced&amp;ocirc;nia (todosex-partes da Iugosl&amp;aacute;via), &amp;eacute; restrito &amp;agrave;s &amp;aacute;reas da antiga  Uni&amp;atilde;o Sovi&amp;eacute;tica (o Cazaquist&amp;atilde;o e o Turcomenist&amp;atilde;o, por exemplo), &amp;agrave; Bulg&amp;aacute;ria e &amp;agrave; distante Mong&amp;oacute;lia.

Outra l&amp;iacute;ngua que usa ao mesmo tempo os dois alfabetos &amp;eacute; o romeno, mas pelo menos em lugares diferentes: na Rom&amp;ecirc;nia propriamente dita, em latino, e na Mold&amp;aacute;via, onde a l&amp;iacute;ngua &amp;eacute; escrita em cir&amp;iacute;lico e chamada de &amp;quot;moldavo&amp;quot; (embora seja igualzinha, igualzinha).
O cir&amp;iacute;lico s&amp;eacute;rvio &amp;eacute; um pouquinho diferente do russo. Tem algumas letras que foram inventadas s&amp;oacute; para ele: o &amp;#1033; (som de lh), o &amp;#1034; (som de nh), o &amp;#1039; (som de dj), o &amp;#1026; (som de dsch) e o &amp;#1035; (som de tsch). E, por outro lado, n&amp;atilde;o tem as estranhas vogais e ditongos do russo, como &amp;#1071; (i&amp;aacute;), &amp;#1070; (i&amp;uacute;), &amp;#1025; (i&amp;ocirc;), &amp;#1067; (&amp;icirc;), &amp;#1069; (&amp;eacute;) e &amp;#1049; (i semi-vogal, que eles trocam por J).
Em tempo: os algarismos (1, 2, 3, , 4... 9, 0) s&amp;atilde;o iguais nos dois. Pelo menos isso, n&amp;atilde;o?
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    <pubDate>Mon, 10 Nov 2008 11:44:00 +0100</pubDate>
    <link>https://www.blogoye.me/yugoboy/51957/</link>
    </item>
    
    <item>
    <title>Canja de viol&amp;#227;o hoje</title>
    <description>Hoje tem uma canja de viol&amp;atilde;o do Marcos Vin&amp;iacute;cius no Centro de Belas Artes Guarnerius, das 20h &amp;agrave;s 22h, segundo o site da Embaixada.
O Guarnerius fica na Rua George Washington, 12 (ou Džordža Va&amp;scaron;ingtona), Starigrad.
Em Belgrado, l&amp;oacute;gico.</description>
    <pubDate>Wed, 12 Nov 2008 14:34:00 +0100</pubDate>
    <link>https://www.blogoye.me/yugoboy/51664/</link>
    </item>
    
    <item>
    <title>Iugoslávia em 18 segundos</title>
    <description>Pra ningu&amp;eacute;m nunca mais dizer que n&amp;atilde;o entendeu:

    Eram v&amp;aacute;rios povos eslavos.
    Vieram os turcos e pegaram a parte de baixo.
    Vieram os h&amp;uacute;ngaros e pegaram a parte de cima.
    Belgrado ficou bem na fronteira entre os dois (Idade M&amp;eacute;dia).
    Os eslavos da B&amp;oacute;snia se converteram ao islamismo.
    A &amp;Aacute;ustria pegou o que era dos h&amp;uacute;ngaros e virou &amp;Aacute;ustria-Hungria.
    Os s&amp;eacute;rvios se rebeleram contra os turcos. Perderam. Mataram o Jorge Negro.
    Os s&amp;eacute;rvios se rebeleram contra os turcos de novo. Agora ganharam. O cara que matou o Jorge Negro virou pr&amp;iacute;ncipe.
    A R&amp;uacute;ssia deu um p&amp;eacute; nos turcos e mandou eles sa&amp;iacute;rem da S&amp;eacute;rvia. Sobrou a parte sob os austr&amp;iacute;acos. O pr&amp;iacute;ncipe s&amp;eacute;rvio virou rei.
    O neto do Jorge Negro matou o filho do cara que tinha matado seu av&amp;ocirc; e virou rei.
    Um s&amp;eacute;rvio maluco matou o filho do imperador da &amp;Aacute;ustria pra protestar e a&amp;iacute; come&amp;ccedil;ou a Primeira Guerra.
    A &amp;Aacute;ustria e os amigos dela perderam a guerra. A S&amp;eacute;rvia, de recompensa, ganhou todo o resto dos eslavos que estavam sob os turcos e sob os austr&amp;iacute;acos: croatas, eslovenos e eslavos mu&amp;ccedil;ulmanos da B&amp;oacute;snia. O pa&amp;iacute;s novo mudou de nome para Iugosl&amp;aacute;via. O rei da Iugosl&amp;aacute;via era o rei s&amp;eacute;rvio, bisneto do Jorge Negro.
    Come&amp;ccedil;ou a Segunda Guerra. O governo se aliou aos nazistas. Os s&amp;eacute;rvios em Belgrado ficaram putos, derrubaram o governo e se juntaram aos aliados. Hitler ficou P da vida e mandou destruir Belgrado. Os nazistas alem&amp;atilde;es invadiram pelo norte, os fascistas italianos invadiram pelo sul. A Iugosl&amp;aacute;via foi separada. Os croatas e mu&amp;ccedil;ulmanos ajudaram os nazistas. Os s&amp;eacute;rvios ajudaram os aliados. Os comunistas formaram grupos pra expulsar os nazistas e fascistas, sem ligar pra etnia nem l&amp;iacute;ngua. O chefe dos comunista era Tito.
    A guerra acabou. Os comunistas expulsaram os invasores sozinhos. Tito virou presidente.
    Tito brigou com Stalin. Deu tudo certo. A Iugosl&amp;aacute;via cresceu.
    Tito morreu.
    Os croatas, eslovenos e s&amp;eacute;rvios brigaram. Cada um queria seu peda&amp;ccedil;o. Brigaram pela B&amp;oacute;snia. Todo mundo matou os eslavos mu&amp;ccedil;ulmanos. Os eslavos mu&amp;ccedil;ulmanos tamb&amp;eacute;m mataram todo mundo.
    A Iugosl&amp;aacute;via acabou.
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    <pubDate>Tue, 11 Nov 2008 15:11:00 +0100</pubDate>
    <link>https://www.blogoye.me/yugoboy/51662/</link>
    </item>
    
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    <title>Sérvio, Croata ou Servo-Croata?</title>
    <description>Todo mundo pergunta: &amp;quot;E que l&amp;iacute;ngua se fala l&amp;aacute; na S&amp;eacute;rvia?&amp;quot;. &amp;Eacute; algo que faz titubear um pouco, e d&amp;aacute; uma vontade tremenda de parar, dizer &amp;quot;senta aqui&amp;quot; e come&amp;ccedil;ar a explicar. Mas nem todo mundo est&amp;aacute; interessado, ent&amp;atilde;o a resposta padr&amp;atilde;o, simples e simplificadora, &amp;eacute;:
- S&amp;eacute;rvio, u&amp;eacute;.
Mas n&amp;atilde;o &amp;eacute; bem assim. E a&amp;iacute; este post equivale &amp;agrave; tal explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o detalhada que a quest&amp;atilde;o de fato merece, que n&amp;atilde;o &amp;eacute; nada simples, e que at&amp;eacute; hoje suscita &amp;acirc;nimos nacionalistas e etnoc&amp;ecirc;ntricos por l&amp;aacute;. Ent&amp;atilde;o &amp;quot;senta aqui&amp;quot; que l&amp;aacute; vem Hist&amp;oacute;ria.
As l&amp;iacute;nguas eslavas do sul da Europa, mais especificamente dos B&amp;aacute;lc&amp;atilde;s, s&amp;atilde;o todas muito parecidas. Um esloveno entende um croata, que entende perfeitamente um s&amp;eacute;rvio, que entende com certo esfor&amp;ccedil;o um maced&amp;ocirc;nio, que entende muito bem um b&amp;uacute;lgaro.
A Pen&amp;iacute;nsula Balc&amp;acirc;nica &amp;eacute; como a Pen&amp;iacute;nsula Ib&amp;eacute;rica: as duas t&amp;ecirc;m grande diversidade de l&amp;iacute;nguas e etnias, mas unidas por uma semelhan&amp;ccedil;a geral. E, como ficam nas pontas da Europa, foram influenciadas por v&amp;aacute;rias culturas externas, fossem por conquista externa de imp&amp;eacute;rios isl&amp;acirc;micos (mouros na Ib&amp;eacute;ria, turcos nos B&amp;aacute;lc&amp;atilde;s) ou penetra&amp;ccedil;&amp;otilde;es internas (judeus e ciganos). A diferen&amp;ccedil;a &amp;eacute; que l&amp;aacute; na ponta oeste s&amp;oacute; existe Portugal e Espanha, o que d&amp;aacute; uma impress&amp;atilde;o de s&amp;oacute; haver duas culturas. Mas a Espanha, malcomparando, &amp;eacute; como era a Iugosl&amp;aacute;via: sob uma capa de uniformidade guarda uma grande diversidade interna. Ent&amp;atilde;o l&amp;aacute; voc&amp;ecirc; tem os castelhanos (que predominam), os catal&amp;atilde;es (orgulhosos de sua cultura de rinc&amp;atilde;o), os asturianos (quase esquecidos e que n&amp;atilde;o fazem mal a ningu&amp;eacute;m), os bascos (que n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m nada a ver com nada) e os galegos (que falam uma l&amp;iacute;ngua quase igual ao portugu&amp;ecirc;s).
A Iugosl&amp;aacute;via era a mesma coisa: tinha os s&amp;eacute;rvios (que predominavam, pelo menos pol&amp;iacute;tica e militarmente), os croatas (orgulhosos de sua cultura de rinc&amp;atilde;o), os eslovenos (quase esquecidos e que n&amp;atilde;o fazem mal a ningu&amp;eacute;m), os albaneses (que n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m nada a ver com nada) e os maced&amp;ocirc;nios (que falam uma l&amp;iacute;ngua quase igual ao b&amp;uacute;lgaro).
No final da Idade M&amp;eacute;dia, todos falavam uma l&amp;iacute;ngua comum: o chamado eslav&amp;ocirc;nico ou proto-eslavo eclesi&amp;aacute;stico, que era a l&amp;iacute;ngua vern&amp;aacute;cula da Igreja Ortodoxa (como o latim para os cat&amp;oacute;licos). Do mesmo jeito que o latim vulgar sofreu modifica&amp;ccedil;&amp;otilde;es e influ&amp;ecirc;ncias externas no Ocidente, dando origem &amp;agrave;s v&amp;aacute;rias l&amp;iacute;nguas latinas (franc&amp;ecirc;s, espanhol, italiano, portugu&amp;ecirc;s...), no Leste o proto-eslavo tamb&amp;eacute;m foi se modificando em cada lugar, dando origem aos idiomas que existem hoje. Ali&amp;aacute;s, assim como a fam&amp;iacute;lia latina se divide em tr&amp;ecirc;s ramos (Galo-Romance &amp;eacute; franc&amp;ecirc;s e proven&amp;ccedil;al; Ib&amp;eacute;rico &amp;eacute; castelhano, portugu&amp;ecirc;s, catal&amp;atilde;o; &amp;Iacute;talo-Oriental &amp;eacute; italiano, sardo, romeno, aromeno), tamb&amp;eacute;m a fam&amp;iacute;lia eslava se divide em tr&amp;ecirc;s: as Eslavas Orientais (russo, bielorrusso e ucraniano), as Eslavas Ocidentais (polon&amp;ecirc;s, tcheco e eslovaco) e as Eslavas Meridionais, ou do Sul (servo-croata, esloveno, maced&amp;ocirc;nio e b&amp;uacute;lgaro).
Cada uma das l&amp;iacute;nguas de um mesmo ramo &amp;eacute; bem parecida entre si, e por isso mutualmente intelig&amp;iacute;vel (um bielorrusso entende russo; um eslovaco entende tcheco). Por isso, como vimos, croatas e s&amp;eacute;rvios sempre puderam conversar, tomar uma boa rakija e xingar a m&amp;atilde;e dos h&amp;uacute;ngaros (que n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o eslavos!!) sem nenhuma dificuldade.
O problema &amp;eacute; que, no final da Idade M&amp;eacute;dia, esses povos-irm&amp;atilde;os foram separados por imp&amp;eacute;rios vizinhos que conquistaram os B&amp;aacute;lc&amp;atilde;s e os dividiram ao meio, ou em tr&amp;ecirc;s: os turcos otomanos vieram da &amp;Aacute;sia, pelo sul, e dominaram a Bulg&amp;aacute;ria, a S&amp;eacute;rvia e Montenegro. Os h&amp;uacute;ngaros vieram do noroeste e dominaram a Voivodina (hoje no norte da S&amp;eacute;rvia), a Eslov&amp;ecirc;nia, a Cro&amp;aacute;cia e a Dalm&amp;aacute;cia (no litoral). Os russos vieram do nordeste e pegaram um naco da Mold&amp;aacute;via, Bessar&amp;aacute;bia, Val&amp;aacute;quia e Dobruja, que hoje fazem parte da Rom&amp;ecirc;nia. E assim as l&amp;iacute;nguas se dividiram, cada uma recebendo influ&amp;ecirc;ncia do respectivo imp&amp;eacute;rio dominador.
O dom&amp;iacute;nio turco, apesar de muito violento (ou talvez justamente por isso), durou 500 anos. Nesse tempo, &amp;eacute; inevit&amp;aacute;vel passar algumas influ&amp;ecirc;ncias na religi&amp;atilde;o, na culin&amp;aacute;ria e, principalmente, na l&amp;iacute;ngua. Vamos lembrar que, quando falamos de domina&amp;ccedil;&amp;atilde;o imperial, n&amp;atilde;o estamos falando de coloniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o: n&amp;atilde;o &amp;eacute; como se um monte de turco tivesse se mudado para os B&amp;aacute;lc&amp;atilde;s da noite para o dia (com exce&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos h&amp;uacute;ngaros na Voivodina e na Transilv&amp;acirc;nia, que de fato colonizaram). Quem vinha era a elite, os guerreiros, os poucos que exerciam fun&amp;ccedil;&amp;atilde;o administrativa. A massa, a popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o da base, o agricultor, o ferreiro, o pastor, isso tudo continuava com sua cultura - neste caso, eslavos.
Com o tempo, os russos foram batidos de volta pro norte e perderam lugar pros turcos. E os h&amp;uacute;ngaros, gradativamente, foram sendo dominados pelos Habsburgos da &amp;Aacute;ustria, que falavam alem&amp;atilde;o, at&amp;eacute; o imp&amp;eacute;rio deles ser absorvido e virar &amp;Aacute;ustria-Hungria, levando as terras eslavas junto.
Ali&amp;aacute;s, h&amp;uacute;ngaros e turcos falam duas l&amp;iacute;nguas totalmente bizarras que n&amp;atilde;o t&amp;ecirc;m absolutamente nada a ver com as l&amp;iacute;nguas indo-europ&amp;eacute;ias que conhecemos: em todo idioma que voc&amp;ecirc; conhece, &amp;quot;mam&amp;atilde;e&amp;quot; &amp;eacute; com M e a ordem normal da frase &amp;eacute; sujeito-verbo-predicado, n&amp;atilde;o &amp;eacute;? Pois n&amp;atilde;o &amp;eacute; assim nem em h&amp;uacute;ngaro (anya) nem em turco (ana). E, pior: apesar disso, turco e h&amp;uacute;ngaro n&amp;atilde;o se parecem entre si.
Assim, o croata sofreu influ&amp;ecirc;ncias do alem&amp;atilde;o e um pouco do h&amp;uacute;ngaro, o s&amp;eacute;rvio sofreu mais do turco e do grego. Por sinal, some-se a isso as diferen&amp;ccedil;as de religi&amp;atilde;o: no in&amp;iacute;cio, todos os eslavos eram pag&amp;atilde;os. Quando chegaram aos B&amp;aacute;lc&amp;atilde;s, os croatas foram catequizados pelos cat&amp;oacute;licos, de Roma, e os s&amp;eacute;rvios foram cristianizados pelos ortodoxos, da Igreja Bizantina em Constantinopla (cuja l&amp;iacute;ngua de refer&amp;ecirc;ncia era grego). Por isso, tamb&amp;eacute;m, os croatas liam a B&amp;iacute;blia em latim e os s&amp;eacute;rvios liam em grego. No meio disso tudo, havia os eslavos (s&amp;eacute;rvios ou croatas) que foram convertidos ao islamismo, lendo o Alcor&amp;atilde;o escrito em turco com alfabeto &amp;aacute;rabe.
&amp;Eacute; claro que, ao longo de s&amp;eacute;culos, isso tamb&amp;eacute;m conta como influ&amp;ecirc;ncia na estrutura da l&amp;iacute;ngua e em voc&amp;aacute;bulos espec&amp;iacute;ficos. Mas a base da l&amp;iacute;ngua - a estrutura, as preposi&amp;ccedil;&amp;otilde;es, conjun&amp;ccedil;&amp;otilde;es e o vocabul&amp;aacute;rio para coisas do dia-a-dia - continuava enraizadamente eslava.
No s&amp;eacute;culo XIX, quando as ondas nacionalistas rom&amp;acirc;nticas varreram a Europa e os imp&amp;eacute;rios come&amp;ccedil;aram a so&amp;ccedil;obrar, intelectuais e literatos de ambos os lados (turco e austro-h&amp;uacute;ngaro) come&amp;ccedil;aram movimentos para reaproximar as culturas eslavas do Sul. Afinal, originalmente eram uma &amp;uacute;nica cultura, apenas circunstancialmente dividida entre imp&amp;eacute;rios diferentes. Do lado croata/cat&amp;oacute;lico, o grande incentivador dessa reaproxima&amp;ccedil;&amp;atilde;o foi Ljudevit Gaj, que estudou em Budapeste. Do lado s&amp;eacute;rvio/ortodoxo, o pr&amp;oacute;cer da reforma foi Vuk Karadžić (nada a ver com Radovan Karadžić, o &amp;quot;criminoso de guerra&amp;quot;), que estudou em Viena. Os dois viraram amigos, trocavam muitas cartas, e escreveram livros que lan&amp;ccedil;aram as bases de uma nova l&amp;iacute;ngua comum, com ortografia, gram&amp;aacute;tica e vocabul&amp;aacute;rio padronizados: o servo-croata.
Claro que algumas diferen&amp;ccedil;as b&amp;aacute;sicas continuaram. Por exemplo, quando querem perguntar &amp;quot;o qu&amp;ecirc;?&amp;quot; os s&amp;eacute;rvios de Belgrado dizem &amp;quot;&amp;scaron;ta?&amp;quot;, os croatas de Zagreb dizem &amp;quot;&amp;scaron;to?&amp;quot;, os croatas do litoral dizem &amp;quot;ča?&amp;quot; e os croatas dos Alpes dizem &amp;quot;kaj?&amp;quot;. Tamb&amp;eacute;m, dependendo do lugar, a vogal t&amp;ocirc;nica &amp;quot;e&amp;quot; pode virar &amp;quot;i&amp;quot; ou &amp;quot;ije&amp;quot;, tanto que em Belgrado os nen&amp;eacute;ns mamam &amp;quot;mleko&amp;quot; (leite), em Zagreb mamam &amp;quot;mlijeko&amp;quot; e em Vukovar mamam &amp;quot;mliko&amp;quot;. Mas todos chamam a pr&amp;oacute;pria mam&amp;atilde;e de &amp;quot;majka&amp;quot;, todos chamam a m&amp;atilde;e dos outros de &amp;quot;kurva&amp;quot;, todos dizem que o c&amp;eacute;u &amp;eacute; &amp;quot;plav&amp;quot; (azul) e todos bebem rakija.
As obras de Karadžić e Gaj contribu&amp;iacute;ram muito para normatizar os dialetos do s&amp;eacute;rvio e do croata como apenas variantes de um idioma unificado. Ainda estava na moda o pan-eslavismo, e todo esfor&amp;ccedil;o por unificar, padronizar e incluir era valorizado. E, de fato, isso foi reconhecido por ling&amp;uuml;istas no resto do mundo (principalmente da Fran&amp;ccedil;a, da Alemanha e da R&amp;uacute;ssia) e oficializado depois da Primeira Guerra Mundial, quando as terras dos eslavos do Sul (s&amp;eacute;rvios, croatas, eslovenos, maced&amp;ocirc;nios) foram unidas em um novo pa&amp;iacute;s chamado Iugosl&amp;aacute;via (de jug, que quer dizer &amp;quot;sul&amp;quot;). do qual o servo-croata se tornou um dos idiomas oficiais (junto com o esloveno e o maced&amp;ocirc;nio).
Obviamente, o maced&amp;ocirc;nio era falado na Maced&amp;ocirc;nia; o esloveno, na Eslov&amp;ecirc;nia. E o servo-croata, em todo o resto: na S&amp;eacute;rvia, na Cro&amp;aacute;cia, em Montenegro e na B&amp;oacute;snia - que ficava no meio de tudo e abrigava tanto cat&amp;oacute;licos quanto ortodoxos quanto mu&amp;ccedil;ulmanos, concentrados na capital regional, Sarajevo.
Assim se manteve durante a &amp;eacute;poca de Tito, at&amp;eacute; a Iugosl&amp;aacute;via se dissolver em sangrentas guerras civis entre 1991 e 1995 (sem contar Kosovo, que &amp;eacute; outra hist&amp;oacute;ria). Com a ascens&amp;atilde;o do nacionalismo nos anos 1990, e com o &amp;oacute;dio etno-religioso entre povos irm&amp;atilde;os, de uma hora para outra cada peda&amp;ccedil;o da esfera ling&amp;uuml;&amp;iacute;stica servo-croata come&amp;ccedil;ou a reivindicar autonomia. Os croatas disseram que tinham tido sua &amp;quot;verdadeira&amp;quot; l&amp;iacute;ngua oprimida desde o s&amp;eacute;culo XIX, declararam &amp;quot;independ&amp;ecirc;ncia idiom&amp;aacute;tica&amp;quot; e passaram a riscar do dicion&amp;aacute;rio as palavras que consideravam &amp;quot;s&amp;eacute;rvias demais&amp;quot;. Fizeram uma verdadeira &amp;quot;limpeza lexical&amp;quot; (paralela &amp;agrave; limpeza &amp;eacute;tnica) para ter um vocabul&amp;aacute;rio &amp;quot;puro&amp;quot;, de ra&amp;iacute;zes plenamente eslavas, ou alem&amp;atilde;s. E aqueles s&amp;eacute;rvios e croatas que tinham se convertido ao islamismo inventaram uma etnia absolutamente inexistente at&amp;eacute; 1990, chamada &amp;quot;b&amp;oacute;snios&amp;quot;. Pior: at&amp;eacute; em Montenegro, que embora fosse uma rep&amp;uacute;blica distinta sempre se assumira de etnia s&amp;eacute;rvia e de l&amp;iacute;ngua s&amp;eacute;rvia, inventou-se um tal de &amp;quot;idioma montenegrino&amp;quot; (ou l&amp;iacute;ngua-m&amp;atilde;e), que nada mais era que o servo-croata com outro r&amp;oacute;tulo.
Gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es e gera&amp;ccedil;&amp;otilde;es que cresceram aprendendo servo-croata na escola, lendo servo-croata nos jornais, ouvindo servo-croata no r&amp;aacute;dio e na TV e falando varia&amp;ccedil;&amp;otilde;es dialetais de servo-croata em casa, de repente, passaram a dizer que falavam ou s&amp;eacute;rvio, ou croata, ou &amp;quot;b&amp;oacute;snio&amp;quot; (!!) ou &amp;quot;montenegrino&amp;quot; (!!!).
Como meu amigo Nikola gosta de dizer:
- Eu s&amp;oacute; estudei uma l&amp;iacute;ngua no col&amp;eacute;gio. Mas, a cada pa&amp;iacute;s que fica independente, eu adiciono um idioma no meu curr&amp;iacute;culo. Virei poliglota sem ter de fazer esfor&amp;ccedil;o!
O dicion&amp;aacute;rio de bolso s&amp;eacute;rvio-portugu&amp;ecirc;s que comprei em Belgrado, segundo os s&amp;eacute;rvios que conhe&amp;ccedil;o, &amp;eacute; na verdade de servo-croata, porque sua autora tem mais de 40 anos e foi educada na l&amp;iacute;ngua unificada. Assim como o lan&amp;ccedil;ado pela editora Porto, portuguesa, especializada em dicion&amp;aacute;rios, &amp;eacute; de &amp;quot;Portugu&amp;ecirc;s-S&amp;eacute;rvio e Croata&amp;quot;. Esse &amp;quot;e&amp;quot; em lugar do h&amp;iacute;fen faz muita diferen&amp;ccedil;a. Perguntei uma vez ao meu professor de s&amp;eacute;rvio (que se recusa a dizer que ensina servo-croata) como pode um idioma de repente morrer, ser desmembrado, em um tempo t&amp;atilde;o curto, de menos de uma gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Que uma l&amp;iacute;ngua &amp;eacute; uma marca cultural poderosa demais, entranhada demais, plasmada demais para ser desfeita no espa&amp;ccedil;o de tr&amp;ecirc;s, quatro anos. Que ningu&amp;eacute;m pode esquecer uma l&amp;iacute;ngua da noite para o dia e substitu&amp;iacute;-la artificialmente. E ele respondeu:
- Quando se tem uma guerra, pode.
E isso foi s&amp;oacute; um resumo. Se quiser saber mais, voc&amp;ecirc; pode ler aqui.</description>
    <pubDate>Sun, 09 Nov 2008 12:08:00 +0100</pubDate>
    <link>https://www.blogoye.me/yugoboy/51661/</link>
    </item>
    
    <item>
    <title>Conex&amp;#245;es serbo-brasileiras: festas e bares</title>
    <description>Existem mais la&amp;ccedil;os em comum entre o Brasil e a S&amp;eacute;rvia do que cr&amp;ecirc; nosso v&amp;atilde;o clich&amp;ecirc; de cita&amp;ccedil;&amp;atilde;o shakespeariana. O n&amp;uacute;mero de pessoas que transitam entre l&amp;aacute; e c&amp;aacute; s&amp;oacute; tem aumentado nos &amp;uacute;ltimos anos, bem como as institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es que divulgam trabalhos de um lado para o outro. Por &amp;quot;institui&amp;ccedil;&amp;otilde;es&amp;quot; n&amp;atilde;o estou falando de programas de embaixada, casas de cultura, museus nem nada parecido. Estou falando de festas como a GoEast, no Rio, e a indie-Go!, em Belgrado, e de lugares como a Confeitaria Choko, em Belgrado, e o Restaurante Beograd, em S&amp;atilde;o Paulo. E, como se fosse pouco, existe o programa de r&amp;aacute;dio Brazilska čorba (ou Caldo Brasileiro), que toca m&amp;uacute;sica tupiniquim (ou tupinikim, hehehe) para os ouvidos s&amp;eacute;rvios.
Todo s&amp;aacute;bado &amp;agrave; tarde (de manh&amp;atilde; para o fuso hor&amp;aacute;rio de Bras&amp;iacute;lia), o jornalista Predrag Dragosavac, conhecido como Pedja, toca samba, choro, drum'n'bossa, MPB e outros ritmos que para n&amp;oacute;s s&amp;atilde;o muito familiares, mas que nos B&amp;aacute;lc&amp;atilde;s s&amp;atilde;o t&amp;atilde;o ex&amp;oacute;ticos quanto as batidas deles soam para n&amp;oacute;s. O programa &amp;eacute; transmitido pela r&amp;aacute;dio B202, que faz parte da RTS (Radiotelevizija Srbije), a empresa p&amp;uacute;blica de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o da S&amp;eacute;rvia. Al&amp;eacute;m de m&amp;uacute;sica, o Brazilska čorba tem jornalismo, com entrevistas com artistas, autoridades e personalidades de alguma forma ligadas &amp;agrave; realidade brasileira.

Pedja &amp;eacute; conhecido por ter um radar apurado para esses la&amp;ccedil;os entre o Brasil e a S&amp;eacute;rvia. Todo brasileiro que passa por Belgrado &amp;eacute; convidado para ir ao programa e bater um papo - mesmo que seja em ingl&amp;ecirc;s, com tradu&amp;ccedil;&amp;atilde;o simult&amp;acirc;nea. Um dos mais recentes foi o Ronaldo Lemos, do Creative Commons Brasil, que conversou com Pedja sobre como o pa&amp;iacute;s avan&amp;ccedil;ou nas novas pol&amp;iacute;ticas de gest&amp;atilde;o de direitos autorais. Os s&amp;eacute;rvios, ali&amp;aacute;s, s&amp;atilde;o bem avan&amp;ccedil;ados na &amp;aacute;rea de cultura livre e apropria&amp;ccedil;&amp;atilde;o das novas tecnologias de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de forma contra-hegem&amp;ocirc;nica (vamos falar mais disso depois).
Al&amp;eacute;m de editar e apresentar o programa, Predrag Dragosavac &amp;eacute; tamb&amp;eacute;m colaborador do jornal Glas Javnosti (A Voz do P&amp;uacute;blico) e do guia cultural Singidunum Weekly. Seu &amp;uacute;ltimo texto, publicado na semana passada, foi uma cr&amp;iacute;tica do Tropa de Elite, que recentemente entrou em cartaz por l&amp;aacute; com o t&amp;iacute;tulo Elitna trupa.
(Detalhe: em s&amp;eacute;rvio, todo t&amp;iacute;tulo de filme, livro, programa de TV ou r&amp;aacute;dio, nome de banda ou de disco, tudo isso fica s&amp;oacute; com a primeira letra da primeira palavra em mai&amp;uacute;scula, obrigatoriamente, a n&amp;atilde;o ser que tenha nome pr&amp;oacute;prio depois)
Pedja ainda n&amp;atilde;o sabia quando contei a ele sobre a GoEast, a festa produzida por um grupo de amigos aqui no Rio que toca ritmos ciganos balc&amp;acirc;nicos remixados com batidas eletr&amp;ocirc;nicas - um estilo recente chamado de BalkanBeat. O g&amp;ecirc;nero &amp;eacute; popular na Alemanha, &amp;Aacute;ustria e Su&amp;iacute;&amp;ccedil;a porque estes tr&amp;ecirc;s pa&amp;iacute;ses germ&amp;acirc;nicos atra&amp;iacute;ram grande quantidade de imigrantes iugoslavos nos anos 1990, quando a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em sua terra natal era de guerra civil e crise econ&amp;ocirc;mica. A GoEast est&amp;aacute; fazendo um ano com sua quarta edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o HOJE, s&amp;aacute;bado 8/11/2008, no CineLapa (Rua Mem de S&amp;aacute;, 23 - lista amiga aqui). As atra&amp;ccedil;&amp;otilde;es, al&amp;eacute;m da m&amp;uacute;sica que se n&amp;atilde;o escuta em nenhum outro lugar, incluem degusta&amp;ccedil;&amp;atilde;o gratuita de rakija (o aguardente de frutas t&amp;iacute;pico dos B&amp;aacute;lc&amp;atilde;s) e narguil&amp;eacute; (o fumo a vapor que &amp;eacute; heran&amp;ccedil;a turca).
Do outro lado, o DJ Nikola Grujić toca toda sexta-feira na indie-Go!, a festa de indiepop e rock desconhecido que equivale &amp;agrave; nossa Maldita da Casa da Matriz. S&amp;oacute; que, l&amp;aacute;, o desconhecido &amp;eacute; a gente. E Grujić agrada o povo quando bota pra tocar bandinhas super queridas da comunidade rocker carioca, como Luisa Mandou um Beijo. Se elas n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o muito disseminadas por aqui, imagine na S&amp;eacute;rvia. O DJ tamb&amp;eacute;m &amp;eacute; pesquisador do indie brasileiro e, embora nunca tenha vindo, sonha com o dia em que vai botar os p&amp;eacute;s em Curitiba. Enquanto isso, passa o resto da semana administrando o rock bar Pub Brod ('brod' em s&amp;eacute;rvio &amp;eacute; &amp;quot;barco&amp;quot;), que por sua vez tem l&amp;aacute; suas semelhan&amp;ccedil;as com a Drinkeria. Como d&amp;aacute; pra ver, a hist&amp;oacute;ria se repete.
Durante quase todo o ano, a indie-Go! acontece na boate Akademija, uma das mais tradicionais de BGD (onde, nos anos 90, o povo se reunia pra conspirar contra o Milo&amp;scaron;ević ao som de Sonic Youth). Mas, no ver&amp;atilde;o, a festa se muda para o Kalemegdan, a fortaleza medieval bem no centro de Belgrado, onde acontece ao ar livre, em pleno fosso seco do castelo, cercado por muralhas de pedra com mais de 1000 anos de hist&amp;oacute;ria. &amp;Eacute; freaking e arrebatador ao mesmo tempo. Tem que ir, pagar e dan&amp;ccedil;ar pra sentir.
Ali&amp;aacute;s, n&amp;atilde;o tem que pagar, n&amp;atilde;o. Porque detalhe: as festas de rock em Belgrado n&amp;atilde;o cobram entrada.
Se esse estilo for &amp;quot;alternativo demais&amp;quot; para o gosto s&amp;eacute;rvio (o que &amp;eacute; dif&amp;iacute;cil, j&amp;aacute; que l&amp;aacute; &amp;eacute; um lugar onde o altie parece ser maioria), o mainstream da cultura brazuca pode ser conferido na Confeitaria Choco, um bar com decora&amp;ccedil;&amp;atilde;o de muito bom gosto - dizem - onde toca o cr&amp;eacute;me de la cr&amp;eacute;me de nossa m&amp;uacute;sica: ax&amp;eacute;, funk e brega. O dono &amp;eacute; o baiano Gustavo, que vive em Belgrado h&amp;aacute; anos. Uma vez por m&amp;ecirc;s, o lugar &amp;eacute; o ponto de encontro do bate-papo promovido pela Embaixada Brasileira na S&amp;eacute;rvia. Conta-se que o pr&amp;oacute;prio embaixador costuma pegar o viol&amp;atilde;o e dar uma canja de vez em quando. Isso eu ainda n&amp;atilde;o vi.
Fora isso, existem os turistas, mochileiros e (i/e)migrantes que fazem as rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es pessoais: casando, namorando e trabalhando com algu&amp;eacute;m da outra cultura. Mas isto fica para um pr&amp;oacute;ximo post.</description>
    <pubDate>Sat, 08 Nov 2008 11:58:00 +0100</pubDate>
    <link>https://www.blogoye.me/yugoboy/51660/</link>
    </item>
    
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    <title>Ufa!</title>
    <description>Meu visto chegou nesta quarta.
Estou realmente feliz, e beeeem mais tranq&amp;uuml;ilo.</description>
    <pubDate>Sat, 08 Nov 2008 08:33:00 +0100</pubDate>
    <link>https://www.blogoye.me/yugoboy/51659/</link>
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    <title>No ar, o Yugoboy</title>
    <description>OK. Foi. Est&amp;aacute; no ar o Yugoboy, o blog de um brasileiro explorando o que sobrou da antiga Iugosl&amp;aacute;via, um pa&amp;iacute;s que deixou de existir aos poucos entre 1991 e 2008, mas que ainda tem muitas rel&amp;iacute;quias prontas para serem escavadas. Trata-se de um exerc&amp;iacute;cio de arquelogia do recente, de etnografia pop e tamb&amp;eacute;m de jornalismo internacional, que &amp;eacute; minha profiss&amp;atilde;o. O blog &amp;eacute; monotem&amp;aacute;tico, de fato, mas o n&amp;uacute;mero de aspectos dentro desse tema &amp;uacute;nico &amp;eacute; t&amp;atilde;o grande e fascinante que raramente um post ter&amp;aacute; a ver com o anterior. D&amp;aacute; para falar de pol&amp;iacute;tica, de hist&amp;oacute;ria, de rock, de ling&amp;uuml;&amp;iacute;stica, de comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, de filosofia, de cinema, de tecnologia, de design, de arquitetura, de estrat&amp;eacute;gia militar, de religi&amp;atilde;o e de uma mir&amp;iacute;ade de assuntos - tudo ligado &amp;agrave; Iugosl&amp;aacute;via, seus estados-sucessores e seus vizinhos nos B&amp;aacute;lc&amp;atilde;s e no Leste Europeu. Daqui a exatamente um m&amp;ecirc;s, dia 8 de dezembro de 2008, embarco para Belgrado, antes capital iugoslava e hoje capital da S&amp;eacute;rvia - o n&amp;uacute;cleo cada vez menor do antigo pa&amp;iacute;s. Ser&amp;aacute; minha segunda vez por l&amp;aacute; (a primeira foi em 2006) e o plano &amp;eacute; ficar tr&amp;ecirc;s meses (at&amp;eacute; mar&amp;ccedil;o/2009). A inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; fazer pesquisa de campo para o mestrado em Comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e Cultura na UFRJ, que estou cursando, e dar um segundo giro pelos B&amp;aacute;lc&amp;atilde;s, especialmente nos lugares onde n&amp;atilde;o estive antes - Bulg&amp;aacute;ria, Maced&amp;ocirc;nia, Eslov&amp;ecirc;nia e, se der, B&amp;oacute;snia. A viagem ser&amp;aacute; menos solit&amp;aacute;ria do que se possa imaginar a princ&amp;iacute;pio. Primeiro, que n&amp;atilde;o sou o &amp;uacute;nico &amp;quot;exc&amp;ecirc;ntrico&amp;quot; disposto a enfrentar uma aventura balc&amp;acirc;nica. Comigo embarca o amigo e coleguinha Filipe Barini, balc&amp;acirc;nico de primeira viagem. No meio da jornada devem juntar-se a n&amp;oacute;s o meu amig&amp;atilde;o s&amp;eacute;rvio-curitibano Nikola Matevski, minha amiga cigan&amp;oacute;fila e balcan&amp;oacute;fila Tet&amp;ecirc; Almeida, que ajuda a divulgar a colcha de retalhos cultural do Leste por aqui com sua genial festa GoEast. Pareceu meio coluna social esse trecho, n&amp;eacute;? Outros que j&amp;aacute; estiveram por l&amp;aacute; e com quem tive prazer de trocar e-mails, mais ainda n&amp;atilde;o esbarrei ao vivo, foram a Julia Zakia, que fez um doc sobre ciganos, o Fernando Zillo, tamb&amp;eacute;m de Curitiba, e o M&amp;aacute;rcio Santoro, que tamb&amp;eacute;m tem um blog com suas andan&amp;ccedil;as pelo Leste Europeu. Quando chegar por l&amp;aacute;, tamb&amp;eacute;m terei a companhia de s&amp;eacute;rvios que adoram o Brasil e os brasileiros, como o DJ Nikola Grujić, da festa indie-Go! e a Verica Filipović, s&amp;eacute;rvia que joga capoeira. Ah, sim. Sobre mim, voc&amp;ecirc; v&amp;ecirc; mais a&amp;iacute; na lateral. E o resto vai descobrindo aos poucos aqui pelo blog. Cortada a fitinha vermelha, vamos ao que interessa. Para dar uma geral na regi&amp;atilde;o e introduzir um pouco sobre Belgrado, a S&amp;eacute;rvia e a ex-Iugosl&amp;aacute;via para quem ainda n&amp;atilde;o me ouviu falar por horas daquele lugar fascinante, copiei abaixo como posts os e-mails que, h&amp;aacute; dois anos, em agosto de 2006, mandei para meus amigos contando as impress&amp;otilde;es de chegar numa cidade com 3.000 anos de hist&amp;oacute;ria, destru&amp;iacute;da 40 vezes e reconstru&amp;iacute;da outras tantas, atacada com corvardia e defendida com coragem - desde os romanos no s&amp;eacute;culo II a.C. at&amp;eacute; os ianques em 1999. Na &amp;eacute;poca, n&amp;atilde;o achei que valesse a pena ter blog. Agora &amp;eacute; diferente - a inten&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; divulgar, mesmo. Desde a primeira viagem, comecei a descobrir um n&amp;uacute;mero enorme de conex&amp;otilde;es entre a S&amp;eacute;rvia e o Brasil - n&amp;atilde;o s&amp;oacute; emigrantes de um lado e de outro, mas tamb&amp;eacute;m la&amp;ccedil;os culturais e semelhan&amp;ccedil;as hist&amp;oacute;ricas. O Yugoboy cumpre, ent&amp;atilde;o, um papel cultural e pol&amp;iacute;tico: tornar mais pr&amp;oacute;ximos o povo de l&amp;aacute; e o povo de c&amp;aacute;, divulgar pra um lado o que o outro tem de melhor. Principalmente, falar um pouco mais dessa parte do mundo t&amp;atilde;o fascinante e t&amp;atilde;o ignorada, mesmo quando se fala em Leste Europeu. (esque&amp;ccedil;a Praga, aquela cidadezinha parque-tem&amp;aacute;tico pra mochileiro australiano; ou Vars&amp;oacute;via, antrozinho reacion&amp;aacute;rio que vive de explorar o complexo de culpa do ocidente; o hype t&amp;aacute; em BGD) Pretens&amp;atilde;o de lado, ignore tudo isso e divirta-se. Porque eu, pode apostar, j&amp;aacute; me divirto &amp;agrave; be&amp;ccedil;a.</description>
    <pubDate>Sat, 08 Nov 2008 04:01:00 +0100</pubDate>
    <link>https://www.blogoye.me/yugoboy/51657/</link>
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